Stoa 64 / O fenômeno do designer medíocre na era da IA
Como a mediocridade se tornou o máximo que um profissional limitado consegue alcançar.
Com os avanços dos modelos de inteligência artificial e a facilidade de integrar MCPs (Model Context Protocol) para gerar interfaces, usando prompts e consumindo bibliotecas de componentes existentes, um fenômeno começa a se intensificar: o deslumbramento por interfaces feitas por IA.
Vejo com frequência pessoas achando incríveis as interfaces geradas por IA. Interfaces que são geradas, muitas vezes, a partir de um único prompt. Chamam isso de one-shot, ou seja, com um único prompt a IA “acertou” o resultado esperado pelo “vibe designer”.
Não há como negar que esse tipo de tecnologia é realmente impressionante e que muda drasticamente o processo de design. Contudo, o que mais chama minha atenção não é a facilidade com que isso é feito hoje em dia, até porque isso é positivo em muitos aspectos. O que mais chama minha atenção é o aumento de profissionais medíocres que agora conseguem entregar resultados medianos muito mais rápido, acreditando terem “criado” o supra-sumo estético das interfaces.
O que é um resultado medíocre?
Um resultado medíocre, na minha humilde opinião, é um design que qualquer pessoa com capacidade mínima de entender como uma biblioteca de componentes funciona consegue produzir. Inclusive as IAs. O resultado é genérico, sem alma, e satisfaz os requisitos mínimos de funcionalidade sem se preocupar com outros aspectos relevantes, como o público, a experiência ou a diferenciação daquele produto no mercado.
Um design que não é medíocre, por outro lado, é aquele em que o designer faz as escolhas necessárias para aquele determinado projeto de maneira intencional, mesmo que com ajuda de uma IA para otimizar o processo. É saber, de maneira empírica, que muitas vezes um componente Y, embora seja um padrão, pode ser substituído por um componente X porque a experiência vai ficar mais interessante. Ou optar por um estilo A ao invés de B porque se alinha melhor às diretrizes de marca do seu cliente ou empresa.
A real diferença entre esses dois profissionais é que um consegue enxergar os próximos degraus, enquanto o outro acredita que já atingiu o topo. Um consegue entender que a IA pode ser um ótimo ponto de partida para exploração, enquanto o outro fica dizendo por aí que o jogo acabou para os designers.
Enquanto o bom designer usa as ferramentas para ampliar suas capacidades técnicas e teóricas, o designer medíocre as usa justamente para esconder a falta delas.
Sabe o que é mais doido em tudo isso? Tem espaço para todo mundo no mercado, do mais medíocre ao mais excepcional. E está tudo bem. O que importa sempre foi, e sempre será, como você se comporta perante esse cenário.
O jogo só acabou para aqueles que desde sempre nunca souberam como jogar.
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Muito bom!! É no final das contas acho que a insegurança e a falsa sensação de perigo unido a quantidade de informações que estamos diariamente expostos, levam-nos ao extremismo, mas quando paramos para olhar "o jogo só acabou para aqueles que desde sempre nunca souberam como jogar", como você muito bem disse. Obrigado pela reflexão!
No fim das contas, não vejo isso como algo negativo. Vejo até mais prós do que contras. Essa "mediocridade" nada mais é do que estar na média — o que é perfeitamente ok — e acaba servindo como um filtro natural para empresas e designers. Isso torna as escolhas mais óbvias para todo mundo: ajuda a entender em qual setor o design é realmente valorizado e onde queremos investir nosso tempo. E para quem só quer garantir o seu no dia 5, está tudo bem também. É sobre clareza de expectativas.